Teria a Maçonaria auxiliado na carreira de Machado de Assis?

O livro "Machado: O Filho do Inverno", do pesquisador C. S. Soares, traz à tona uma revelação que há muito intrigava os estudiosos: a participação decisiva da Maçonaria nos primeiros passos da carreira de Joaquim Maria Machado de Assis. Diferente das interpretações românticas de "talento puro" ou "sorte", o autor aponta para uma rede organizada de apoio maçônico que teria aberto portas ao jovem escritor ainda na década de 1850.
A relação maçônica é apresentada de forma clara e documentada. Francisco de Paula Brito, tipógrafo e maçom foi quem empregou Machado, publicou seus primeiros livros e o inseriu no universo da Marmota Fluminense. Anos depois, Saldanha Marinho, outro maçom, comprou o Diário do Rio de Janeiro e colocou à frente da redação Quintino Bocaiúva, também maçom. Machado foi contratado. Não por acaso, quando Marinho vendeu o jornal, Machado conseguiu, pouco depois, um cargo no Diário Oficial do Império (1867). A hipótese do livro é que essas movimentações não foram coincidências, mas sim os efeitos silenciosos de uma fraternidade maçônica atuante.
"Machado: O Filho do Inverno" dedica especial atenção a essa teia de proteção, mostrando como a Maçonaria pode ter sido a chave para a inserção social de um homem pobre, negro e epilético no restrito círculo intelectual do Rio de Janeiro imperial. O livro é um marco nos estudos machadianos e a análise dessa relação maçônica continua em um próximo post, onde exploraremos outros nomes e documentos que conectam Machado à Loja Maçônica e ao seu silêncio estratégico sobre o tema.

