Quem foi Giuliano Di Bernardo? O polêmico reformador da maçonaria italiana e as cisões que abalaram os anos 1990

ROMA - De acordo com o periódico L'Urlo, em 1990, o filósofo e professor universitário Giuliano Di Bernardo assumiu a liderança do Grande Oriente da Itália (GOI) com um projeto ousado: modernizar a maçonaria italiana colocando a "transparência" no centro do debate, num esforço para restaurar a credibilidade da instituição após o devastador escândalo da loja P2. No entanto, sua tentativa de reforma esbarrou em forte resistência interna. Em abril de 1993, após um embate direto com setores tradicionais da ordem, Di Bernardo deixou o cargo. As versões divergem: o GOI classifica sua saída como uma secessão seguida de expulsão por "alta traição"; ele, por sua vez, sempre afirmou que renunciou após uma "vitória de Pirro", alegando que seu plano de renovação foi deliberadamente boicotado pela cúpula conservadora.
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Imediatamente depois, Di Bernardo fundou a Grande Loja Regular da Itália (GLRI), apresentando-a como um "novo curso" baseado em clareza e coerência. O golpe decisivo veio em dezembro daquele ano, quando a prestigiada Grande Loja Unida da Inglaterra reconheceu a nova GLRI e retirou o reconhecimento do antigo GOI – um revés diplomático de enorme peso que reposicionou a maçonaria italiana sob a influência do modelo anglo-saxão. Esse cisma ocorreu em meio ao delicado "Inquérito Cordova", que investigava infiltrações político-econômicas nas lojas, o que fez com que o tema da "regularidade" e da abertura à opinião pública ganhasse urgência política e cultural.
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Três décadas depois, Di Bernardo segue sendo uma figura divisiva: para uns, um reformista visionário; para o GOI, o responsável por uma das piores crises de sua história. Contudo, seu legado histórico é indiscutível – ele fragmentou definitivamente o panorama maçônico italiano, criou uma obediência rival e forçou toda a instituição a encarar a necessidade de prestar contas à sociedade. O grande paradoxo é que, nos anos seguintes, o próprio GOI, sob novas lideranças, acabou incorporando justamente os pilares da transparência e do diálogo institucional que Di Bernardo defendera, provando que sua trajetória, ainda que polêmica, deixou marcas profundas e duradouras na história da maçonaria do país.

