Mozart: o gênio católico que desafiou a excomunhão e se fez maçom.

17/06/2026

Sabia que Wolfgang Amadeus Mozart, autor do sublime Ave verum corpus e de dezenas de missas católicas, era também maçom? Em 1784, aos 28 anos, filiou-se à Loja vienense Zur Wohltätigkeit, ignorando a bula In Eminenti apostolatus (1738) do Papa Clemente XII, que proibia católicos de ingressarem na Maçonaria sob pena de excomunhão. Segundo Brad Miner, no The Catholic Thing (14/06/2026), não há prova de que Mozart tenha lido e deliberadamente desobedecido à proibição, mas o fato é que compôs obras explicitamente maçônicas, como a Cantata Maçônica, e que A Flauta Mágica é um tratado simbólico da iniciação maçônica.

A grande ironia é que a Loja de Mozart se apresentava como um "catolicismo iluminista" (Aufklärungskatholizismus), inspirada nos teólogos liberais Muratori e Febronius, que defendiam a redução do poder papal. Esta maçonaria não se via como anticatólica, mas como um espaço de fraternidade entre crentes e não crentes. Contudo, Pio VI condenou estas correntes em Auctorem fidei (1794), e a posição da Igreja manteve-se inabalável: Maçonaria e fé católica são incompatíveis.

O que fazer, então, com Mozart? O compositor teve a sua "aventura iluminista", mas acabou onde pertencia: compondo o Réquiem. Outros diriam que viveu excomungado durante sete anos, sem que isso invalide a beleza sobre-humana da sua música. Se um gênio católico conciliou a fé com a Loja Maçônica, quantos fiéis comuns não estarão hoje a fazer o mesmo, convencidos de que "não há mal nenhum"?

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