Maçonaria, luz e razão, não conspiração. Um depoimento pessoal que revela o que está por trás da Ordem.

30/08/2026

ROMA – Em um artigo contundente, a jornalista Teresa Casamichela afirma que a palavra "maçom" foi sequestrada pelo imaginário popular e virou um atalho narrativo para sugerir tramas obscuros, poder oculto e complôs. Mas o texto, profundamente pessoal, resgata a história do avô que ela nunca conheceu. Um advogado íntegro que, segundo sua avó e os livros deixados em sua biblioteca, era provavelmente maçom. Ao herdar aquelas obras décadas depois, Teresa não encontrou segredos sinistros ou planos malignos, mas sim anotações meticulosas sobre grandes "iniciados" como Krishna e Cristo, reflexões sobre o transcendente e duras críticas aos abusos do poder e à burocracia opressora. Ali, para ela, estava a essência da verdadeira Maçonaria: uma escola de disciplina ética, aperfeiçoamento espiritual e defesa intransigente do Estado de Direito, o oposto absoluto do clichê sensacionalista.

O artigo explica que esse estigma negativo não surgiu por acaso. Ele é fruto do trauma coletivo dos anos 1980, quando a Loja desviada P2, comandada por Licio Gelli, contaminou para sempre a percepção pública sobre a Ordem. Desde então, virou hábito no jornalismo e na política evocar o "fantasma do complô maçônico" sempre que a realidade se mostra complexa demais para ser explicada. A autora lembra casos recentes, como o uso recorrente do termo nas investigações sobre Valter Lavitola, nas declarações do procurador Nicola Gratteri sobre a "Maçonaria desviada" e até na reação do jornalista Sigfrido Ranucci a um atentado, que imediatamente associou o fato a uma "regia oculta nos moldes de Gelli". Teresa destaca, porém, que a Maçonaria regular, na época, tentou se defender expulsando Gelli e seus aliados e buscando a transparência, mas o sensacionalismo já havia fixado o rótulo de forma indelével na mente do público.

Vivemos, diz ela, na era do politicamente correto, onde há enorme cuidado para não mencionar nacionalidade, religião ou etnia em notícias policiais. Mas essa sensibilidade se dissolve completamente quando a palavra é "maçom". O termo virou um "comodino narrativo": não serve para descrever uma filiação legítima a Lojas regulares, mas sim para insinuar redes opacas e contatos suspeitos, encerrando qualquer debate sem necessidade de argumentação. No entanto, a realidade histórica e cultural é profundamente diversa. O avô de Teresa, por exemplo, representava a Maçonaria de origem iluminista e liberal, que contribuiu para fundar o pensamento moderno e as liberdades ocidentais, uma escola de aperfeiçoamento humano onde profissionais íntegros se reuniam para elevar o intelecto, promover a tolerância e libertar o homem dos dogmas da ignorância, e não para tramar nas sombras.

Hoje, com quase 69 anos, a autora acompanha páginas oficiais da Maçonaria regular e reencontra exatamente o mesmo espírito que movia seu avô: pessoas que buscam respostas profundas em um mundo de slogans polarizados, que cultivam a razão e agem com retidão, longe dos holofotes do sensacionalismo. A mensagem final é um vigoroso apelo à justiça histórica: usar "maçom" como sinônimo de má-fé, corrupção ou comitê de negócios é um dano imenso a uma tradição cultural ilustre e a todos os homens e mulheres que, silenciosamente, conciliam espiritualidade e dever cívico. Restituir à palavra sua dignidade, conclui Teresa, é um ato de respeito a todos aqueles que, como seu avô, cultivaram a luz da razão sem jamais faltar com seus compromissos com a sociedade, a profissão e o Estado.

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