EGO e a IA: quando o uso exagerado transforma todo maçom em Grão-Mestre e personagem ilustre da História.

07/09/2026

Observa-se, com certa estranheza, como a inteligência artificial tem sido usada no meio maçônico brasileiro menos como ferramenta de estudo e mais como acessório de vaidade. Efemérides viram cenas épicas, medalhas ganham relevos divinos e rostos são alisados por filtros que apagam a história gravada na pele. No afã de estetizar o feed, esquece-se que a Maçonaria sempre foi exercício de humildade e discrição, onde a luz não vem de pixels, mas do silêncio laborioso da câmara do meio.

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Sob uma ótica sociológica, isso revela a substituição do ethos iniciático pelo pathos da performance digital. O ritual de polir a pedra bruta cede lugar ao espetáculo de autoafirmação, onde seguidores validam autoridades. É a era do "parecer" sobre o "ser", uma cafonice sofisticada onde o algoritmo dita a hierarquia. Ao transformar cada página em palco e cada obreiro em personagem ilustre, perde-se o propósito maior: a edificação do caráter, que exige silêncio e tempo, não filtros. São maçons ao lado de figuras históricas, como se, ao associar sua imagem ao personagem, o transformassem em autoridade, mas, na verdade, revestem a Maçonaria em chacota. E as páginas e perfis sobre Maçonaria? O que dizer? Quanta vaidade.

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Fica a provocação: se retirarmos o aparato algorítmico, sobrará algo? Seriam os responsáveis capazes de escrever, com alma, uma linha sobre os mistérios da Arte Real? A tecnologia é maravilhosa, mas, quando usada para maquiar o vazio, amplifica apenas um ego que recusa a lapidação. O verdadeiro maçom dispensa adereços digitais; seu trabalho fala na constância das ações, bem antes de qualquer curtida.

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