A questão maçônica: livro revela o lado iniciático do poeta Bocage.

A face oculta do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage vem à tona com o lançamento do livro "Bocage, arauto do Iluminismo", do historiador Jorge Morais. A obra foi apresentada recentemente no Café Nicola, em Lisboa, e revela detalhes do processo iniciático do poeta na Maçonaria. Diferente da imagem debochada e irreverente que ficou na história, Bocage era um homem mergulhado nas ideias do Iluminismo e participava ativamente das lojas maçônicas de seu tempo. O prefácio, escrito por António Valdemar, destaca que o livro resgata o verdadeiro Bocage, afastando a visão deturpada de ateu e marginal que por muito tempo se perpetuou.
A questão maçônica é tratada por Jorge Morais como elemento central para entender as transformações sociais e políticas em Portugal entre os séculos XVIII e XIX. O autor mostra como a Maçonaria influenciou diretamente as rupturas que levaram à Revolução Liberal do Porto e à independência do Brasil. O livro não se limita à biografia do poeta. Ele descreve a origem e a evolução da Maçonaria em Portugal, sempre ligada ao Iluminismo, e demonstra como as tendências literárias da época andavam de mãos dadas com as opções políticas e os antagonismos entre poetas.
A apresentação do livro ficou a cargo de Daniel Pires, também no Café Nicola, tradicional ponto de encontro de intelectuais e maçons. Publicado pela Âncora Editora, "Bocage, arauto do Iluminismo" é uma obra essencial para quem deseja compreender o papel da Maçonaria na formação da identidade cultural e política da língua portuguesa. O autor Jorge Morais já havia escrito anteriormente "A Oposição ao Estado Novo na encruzilhada colonial", consolidando sua reputação como pesquisador atento aos bastidores da história.

