Relatório Policial de 1965 confirma execução de García Lorca por ser maçom e homossexual

02/02/2026

Um relatório inédito da Polícia de Granada, datado de 9 de julho de 1965, veio à tona e confirma oficialmente as circunstâncias do assassinato do poeta Federico García Lorca. O documento, de tom burocrático e frio, atribui a execução sumária do poeta, em agosto de 1936, a uma tríade de acusações: ser "socialista, maçom e praticante de homossexualidades". O texto é explícito ao afirmar que Lorca era membro da Loja Alhambra de Granada, onde adotara o nome simbólico de "Homero".

O relatório detalha os momentos finais do poeta, descrevendo como ele foi preso "com grande pompa" na casa dos irmãos Rosales e depois conduzido aos arredores de Víznar, perto da Fonte Grande. Lá, "após confessar", foi fuzilado junto com outro detento. A suposta confissão, conforme análise histórica, muito provavelmente refere-se à admissão de sua condição de maçom e de suas ideias, as quais nunca negou em vida.

O documento conclui com uma informação que há décadas intriga investigadores: a indicação do local de sepultamento. Afirma que Lorca foi enterrado "muito perto da superfície", em uma ravina a cerca de dois quilômetros da fonte, em um local descrito como "muito difícil de localizar". O relatório não apenas certifica a morte do poeta, mas também valida, ainda que de forma perversa, sua vida como iniciado maçom, vítima da intolerância que sua Ordem sempre combateu.