Polêmica na Itália: Gratteri e a Maçonaria no Referendo sobre a Reforma da Justiça.

13/02/2026

Na Itália, a campanha para o referendo sobre a reforma da Justiça, que visa mudanças significativas no sistema judicial do país, gerou uma forte controvérsia após declarações do procurador de Nápoles, Nicola Gratteri. Em entrevista ao Corriere della Calabria, Gratteri afirmou que os "indagados, imputados e a maçonaria desviada" seriam favoráveis ao "Sim" à reforma, enquanto os "cidadãos de bem" votariam pelo "Não". A maçonaria italiana, frequentemente ligada a círculos de poder e políticas influentes, foi mencionada como um dos grupos que poderiam se beneficiar da reforma proposta, o que intensificou a polarização política.

As palavras de Gratteri, que é uma figura conhecida pela sua luta contra a máfia, causaram reações imediatas. O presidente do Senado, Ignazio La Russa, e outros líderes do centro-direita criticaram o procurador, acusando-o de ofender milhões de italianos que votariam "Sim" e de elevar a tensão política. No contexto italiano, a maçonaria é um tema delicado, com uma longa história de envolvimento político, o que alimentou ainda mais a polêmica. Gratteri sugeriu que a reforma judicial beneficiaria os ricos e poderosos, incluindo membros da maçonaria, que teriam mais facilidade em lidar com um sistema judicial mais fraco.

A Unione delle Camere Penali, associação de advogados, também se manifestou contra o procurador, afirmando que suas declarações eram um insulto à democracia. A reforma judicial, que propõe mudanças no funcionamento do Ministério Público e no Conselho Superior da Magistratura, continua sendo um tema divisivo na Itália, com críticos apontando que ela enfraquece a independência do Judiciário, enquanto seus defensores argumentam que é uma medida necessária para modernizar o sistema.