Maçonaria rompe o silêncio na França: uma revolução transparente.

Em Montpellier, a Grande Loja da França desafia séculos de mistério com a ousadia de Jean-Raphaël Notton, seu novo Grão-Mestre, que comandou uma conferência pública lotada nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026. Diante de jornalistas e estudantes da associação Meridio, Notton detonou clichês absurdos, de sacrifícios humanos a conspirações globais, com humor afiado: "Já tiramos os altares, sujavam demais!", ironizou, promovendo visitas abertas a templos durante as Jornadas do Patrimônio. Essa estratégia de portas escancaradas visa reconquistar a narrativa, combatendo teorias da conspiração que florescem no vácuo do silêncio maçônico.
Notton nega qualquer manipulação eleitoral, mas assume encontros francos com líderes políticos como Michaël Delafosse (PS, Montpellier) e Louis Alliot (RN, Perpignan), respeitando sua legitimidade republicana. A obediência permite filiações partidárias legais, de esquerda a extrema-direita, mas é "intransigente" contra racismo, antissemitismo e homofobia, valores universais que transcendem ideologias. Financiada por cotas modestas de 32 mil membros (350-400 euros anuais por pessoa) e patrimônio histórico, a Loja opera como associação, com auditorias transparentes, excluindo desvios com rigor implacável.
Mais que imagem, Notton propõe uma maçonaria transformadora: espaço de introspecção vitalícia, dúvida metódica e liberdade de consciência, contrapondo-se à polarização instantânea das redes. "Antes de mudar o mundo, melhore-se a si mesmo", resume o Grão-Mestre, posicionando a Ordem como antídoto ao debate público caótico, especialmente ante as municipais de março de 2026. Abrindo conferências, restaurantes simbólicos e diálogos sem proselitismo, Montpellier testemunha uma Maçonaria equilibrada: visível, mas guardiã do íntimo essencial.

