Maçonaria do Mississippi rejeita união com Prince Hall: votação divide irmandade secular.

Jackson, Mississippi: Em um desfecho que surpreendeu parte da comunidade maçônica internacional, a Grande Loja do Mississippi F&AM derrubou, por ampla maioria, uma proposta histórica de reconhecimento mútuo com a Most Worshipful Stringer Grand Lodge, principal obediência Prince Hall do estado. A votação ocorreu durante a comunicação anual da instituição, em fevereiro de 2026, com 200 votos favoráveis contra 617 contrários, totalizando 889 sufrágios de 529 lojas e 340 mestres passados presentes. O resultado, divulgado em redes sociais como o Old Fashion Masonic Podcast, pôs fim, por ora, a anos de expectativa por uma reconciliação.
Para entender o impacto, é essencial voltar às raízes da divisão. A Maçonaria, sociedade fraternal fundada no século XVIII na Europa, chegou aos EUA e, no sul escravocrata, excluiu negros. Em 1775, Prince Hall, ex-escravo libertado, fundou a primeira Loja para afro-americanos em Boston. No Mississippi, a Stringer Grand Lodge surgiu em 1875, homenageando seu pioneiro Thomas Stringer, logo após a primeira loja Prince Hall local em 1867. Reconhecida pela Conference of Grand Masters Prince Hall, ela segue rituais regulares, mas opera separada das lojas "mainstream" brancas devido a resquícios de segregação Jim Crow. Hoje, só Arkansas e Carolina do Sul mantêm essa barreira entre grandes lojas sulistas; Louisiana e West Virginia já se uniram.
O "não" de 70% reflete tensões internas sobre "regularidade" maçônica, critérios como linhagem ininterrupta e proibições a visitas mistas. Críticos veem racismo latente; defensores, preservação de tradições. A notícia viralizou, com debates acalorados online. Sem reação oficial da Stringer, maçons globais questionam a fraternidade universal prometida pela ordem. Futuras assembleias podem revisitar o tema, mas o Mississippi reafirma isolamento.

